A PMPR é displicente com a formação de seus oficiais e praças?

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APMG

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O meu objetivo aqui e desvelar o véu que encobre a Academia Militar do Guatupê – APMG, e revelar porque os oficiais daquela Instituição possuem equivalência a um curso superior e não curso superior efetivamente.

Esse formato equivocado deveria ser corrigida na gestão do Governador Beto Richa, mas pelo jeito não será. Visto que, por  iniciativa do Executivo Estadual o Guatupê foi encaminhado para compor a chamada UNESPAR e receber certificação de ensino superior dentro do Sistema Estadual de Ensino por meio do Conselho Estadual de Educação.

O projeto está funcionando com autorização temporária pelo CEE até meados de junho de 2013 como bacharelado em Segurança Pública, no entanto, os responsáveis pela Academia, a própria Direção de Ensino da PM e o Comandante não tem feito absolutamente esforço algum para que a Academia se adeque para receber a certificação que a PM merece.

A impressão que temos a partir desta postura é que os atuais responsáveis  pelo ensino na PM não tem o mínimo interesse e compromisso com a sociedade paranaense ao deixarem de lado questão tão importante como oferecer curso de formação superior reconhecido para quem cuida da nossa segurança e bem estar. Pois para quem serve um curso pensado, ministrado e avaliado pelas mesmas pessoas? O ensino superior precisa de avaliação como todas

Se o Guatupê seguisse as recomendações do CEE a formação daqueles que fazem o curso  para ser oficiais é o Bacharelado em Segurança Pública, e a demanda das entidades como a APRA – Associação de Praças do Estado do Paraná é o de oferecer também para os praças curso superior como o de Tecnólogo em Segurança Pública.

Tive a oportunidade na qualidade de consultora e de cientista política de conversar com o Comandante da Academia, Cel Carneiro e seus assessores, bem como, o Diretor de Ensino da PMPR o Cel Dabul. Infelizmente, tive reunião agendada com o Comandante da PMPR Cel Bondaruk, mas por falta de acessibilidade no QG da PMPR, o elevador para deficientes estava estragado e sem manutenção,  não pude chegar a sala do Cel. Pois bem, era para ter sido reagendado, mas não foi, houve pedido de desculpa, fui muito bem tratada pelos assessores do Comandante, mas sempre fica um mas…

Abrindo aspas, apesar de ter sido bem tratada, isso não reduz a inoperância do Estado ao não garantir acessibilidade a um órgão público, essa foi mais uma de inúmeras visitas infrutíferas, o direito de acesso das pessoas com deficiência e mobilidade reduzida deveria ser preocupação do Estado.

Pois bem, é preciso que essa situação escabrosa da Academia do Guatupê seja revista com a máxima urgência, a medida que o tempo concedido pelo CEE urge. O Governador Beto Richa, assumiu um compromisso pessoal com os praças do Estado do Paraná e o mesmo não está sendo cumprido pelos seus subordinados. É isso, ou  o Paraná será marcado pelo Governador dizendo em alto e bom tom que os policiais que estudam muito se tornam insubordinados?

As palavras mal ditas e malditas deveriam ser corrigidas com ações, mas o Paraná mais uma vez pagará pela inércia.

Tentamos corrigir isso politicamente, fomos ao Gabinete do  Deputado Estadual Mauro Moraes, ao Gabinete do Deputado Estadual Tadeu Veneri e também ao Gabinete do Deputado Federal Francischini. No entanto, somente o Dep. Veneri tem acompanhado essa demanda, sem muito poder fazer, pois é a oposição, aliás um dos únicos no Paraná que faz uma oposição de qualidade. Buscamos também informações junto ao Conselho Estadual de Educação – CEE e temos a plena certeza de que a certificação via Sistema Público de Ensino Superior é o melhor e o mais salutar caminho, lamentável é que os atores internos desse processo não percebam isso e se furtam a certificação.

Ainda, temos dois meses para que esse erro histórico seja corrigido. O Paraná se fizesse o curso de Bacharelado em Segurança Pública e o Tecnólogo em Segurança Pública sairia na frente, em termos de  Brasil, em relação a formação de policiais.

Tudo que estava ao nosso alcance fizemos, agora só resta contar com a sorte…

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  1. Pingback: A PMPR é displicente com a formação de seus oficiais e praças? | APRA

    • Olá Maurício, o Deputado Tadeu Veneri também tem nos ajudado muito, no entanto, a dinâmica de ser oposição dificulta algumas questões, essa é o mote da democracia. No entanto, o foco central não são os deputados, mas sim o fato dessa questão passar incólume, pois a aparência é de que não há “vontade” dentro da caserna para que o ensino mude e se torne aberto as avaliações que TODAS as insituições de ensino superior passam. O controle que o Estado faz nesse sentido é salutar, pois garante parâmetros mínimos de qualidade. No entanto, o Guatupê como se encontra é uma caixa com segredos bem guardados pouco conhecidos e sem qualquer tipo de controle externo de qualidade. É preciso seguir as normas do MJ quanto a qualidade, acesso a aulas com sociólogos, cientistas políticos, advogados, com mestrado e doutorado. O conhecimento da academia como está, é ensimesmado, e uma sociedade minimamente crítica e com índices escabrosos de violência não pode deixar isso como está, por anos e anos. A luta é essa. Se for o Lemos, o Veneri ou o Francischini pouco importa, o que importa é que isso seja encaminhado da forma correta e que os praças também sejam agraciados com o conhecimento que a “viúva” é capaz de oferecer, regular, regulamentar…

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  2. Sou Policial Militar e concordo com tudo que voce escreveu, te digo é muito bom ver pessoas inteligentes falando sobre o assunto, continue precisamos de ajuda externa, pois se esperarmos pelos nossos comandantes não sairemos do lugar, quando se chega aos postos mais elevados eles só pensam em suas promoções, em cargos públicos quando se aposentarem e esquecem da população e de seus subordinados. Um abraço e te digo é muito bonito ver alguém se expressar bem como voce o faz

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    • Obrigada Ivan, espero que ocorra uma mobilização para que essas questões quanto ao funcionamento da Academia melhorem, pois não podem e não devem ficar parados no tempo. É um atraso manter uma formação ostracista, curso superior para todos os PMs devem ser uma bandeira da classe! Lido com questões acadêmicas há pelos menos 10 anos e tenho um pouco de experiência na área e acho que realmente a PM precisa de ajuda externa.

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      • Vanessa, nossos policiais são reflexo da sociedade, dificilmente irão se manifestar, talvez com a entrada de pessoas com horizontes, quem sabe, eu luto para isso mudar, mas só para vc ter uma idéia da acomodação dos PMs, nós temos uma associação AVM (associação Vila Militar) essa associação é civil e nela só os oficiais tem direito ao voto e ser votado, porém os oficiais são aproximadamente 7% dos associados os demais são os praças, dias atras ouve uma movimentação para que isto mudasse, pouquíssimos se interessaram pelo assunto. ou seja, somos piores que os escravos de antigamente, pois eles ainda demonstravam suas indignações e nós nem isso. Um abraço

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      • Não Ivan, hoje temos a democracia e a justiça, ainda que funcione a duras penas elas existem enquanto Instituição. Precisamos acordar, e nem falo dessa democracia de Rousseau em que todos os “homens e mulheres” despertariam, mas se meia dúzia despertar já teremos algo melhor. Vamos tentando, as entidades policiais são novas, então precisamos de tempo de maturação, mas um dia chegaremos lá. Espero inclusive que esse sistema de militarismo da polícia acabe, pois é retrógrado. E na minha opinião o primeiro passo seria o Guatupê ser transformado numa Faculdade compondo a Unespar, com esse processo haveria oxiginação e a PM precisa, Deus como precisa! Mas são lutas meu caro Ivan, essa não é a minha única luta, se você andasse um dia de muleta numa cidade como Curitiba perceberia o que estou dizendo, somos imaturos, fracos e não percebemos os outros. O caminho da não abertura do Guatupê representa um pouco disso, o ostracismo, a separação, a diferenciação, o preconceito, enfim uma sociedade divivida entre fracos e fortes… e que reproduz esse processo…Um abraço, vamos continuando….

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  3. Vanessa e difícil pois o atual governador disse em entrevista a rádios e tv que policiais militares com nível superior ficaria insubordinado isso deve ser a alegação do próprio comando geral da PMPR.

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    • Precisamos então, mobilizar a opinião pública para mudar esse quadro a ideia com esse post foi realmente levar isso a público. Nós procuramos, como vc viu desde o Mauro Moraes até o Francischini, conversei com os principais comandantes da área educacional, mas infelizmente eles parecem recusar ajuda externa. Mas afirmo que abrir a academia para o mundo universitário é um avanço para todos.

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  4. Sou PM a 16 anos, e não me recordo de receber ajuda externa como a Sra esta tentando, me recordo somente que a fala do governador não é novidade, quando de minha entrada estive em uma reunião onde o então TenCel Josué disse “não temos interesse que vcs estudem, pois se isto ocorrer, irão sair da PMPR, para prestar outros concursos ou trabalhar em outras áreas”. Achei um absurdo (era novo na PM) e no decorrer dos anos fui somente ouvindo coisas parecidas. Agradeço sua iniciativa e vou acompanhar sua escalada. DEUS de abençoe.

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    • Obrigada pelo apoio. Mas a vida é uma luta mesmo em todos os horizontes. Estou chegando aos 40 anos e já não tenho a mesma disposição e força dos 20 anos, mas ainda possuo capacidade de indignação e não é possível convivermos e compactuarmos com o retrocesso. Então, tentei junto com a APRA levar um olhar diferente para os postos chaves na questão da educação dentro da PM, me parece haver somente um oficial superior favorável a este processo, o restante é contrário. A disposição do Executivo agora seria uma grande oportunidade para mudar, mas eles estão tomando a postura do avestruz, por simples medo da mudança, pois essa mudança significa a pulverização do poder e isso os responsáveis pelo processo não querem. Eu gostaria muito de fazer esse trabalho o bacharelado e o tecnólogo, mas acho que isso ficará engavetado por falta de coragem e medo. A capacidade técnica eu possuo, a capacidade política tb, mas infelizmente não consegui sozinha como consultora e nem tampouco com a APRA, mas vamos continuar a luta, pois virá um novo governo e em algum momento encontraremos um comandante de mente voltada para o conhecimento, para a universidade, para a extensão, para a pesquisa, para que futuramente possamos criar policiais militares mestres e doutores efetivamente em segurança pública. Pois o que existe hoje não é reconhecido pelo chamado “mundo civil”, é o conhecimento deles para eles mesmos e que não chega até os praças. Espero que venham outras Vanessas…. Abrços e obrigada pelo comentário.

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  5. Infelizmente as instituições militares tem comandantes que as guiam com mãos de ferro e na maioria das vezes usam o comando como se fossem lideres de uma seita religiosa e não militares. É óbvio que os comandantes das PM do Brasil tem aversão a qualquer tipo de abertura. É notório que na realidade paranaense as praças ingressam, em sua maioria, ja com curso superior e os que não possuem o curso superior acabam se formando para poder galgar as graduações na hierárquia militar. O que ocorre é que os comandantes não poderão mais usar da lavagem cerebral habitual, que é tradição desde a fundação da APMG. Também não poderão mais formar seus monstrinhos de laboratório, uma vez que estarão sendo supervisionados por outro orgão de ensino estadual. Há de se destacar o fato de que muitos dos que vão fazer cursos naquela instituição de ensino militar, não possuem capacidade de desenvolver um artigo ou uma pesquisa, mas acabam recebendo diplomas pelo corporativismo existente entre os ofíciais.

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    • Meu Caro, é exatamente isso que queremos, que a Academia da Polícia Militar passe por controle externo, isto é, o Conselho Estadual de Educação, que segue parâmetros muito parecidos com o MEC. Precisamos de oxigênio de “intelligência” curso realmente superior de bacharelado e tecnólogo.

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  6. Meus parabéns Vanessa pelo trabalho até aqui, tudo isso não é impossivel de acontecer um dia, porém, estou ha 27 anos na corporação, os oficiais nao se interessam mesmo, para eles o sistema vigente é totalmente favorável, vantajoso, muito benéfico, e qualquer coisa que surja em prol das praças, eles nao apoiam de fato, pois entendem como riscos a seus poderes, além de outras razoes como grande sentimento de superioridade, a forte tradiçao e cultura tipo deuses, a eles tudo aos praças nada, pra eles o bolo inteiro as praças os farelinhos caídos, enfim qualquer coisa que tente aproximar as praças a eles, sempre foi e será totalmente quebrado por eles, por fim a cabeça deles contra as praças, já é totalmente feita quando ingressam na academia. T odavia amiga, a luta nao pode parar, Deus lhe abençoe, abrç.

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    • Obrigada Jesus, também sei disso e sei das retaliações que podem tentar contra ao fato de eu estar publicizando isso, mas o que seria da vida se não fosse o risco, quando arriscamos podemos perder ou ganhar, mas creio que já ganhamos a medida que há vários policiais comentando a matéria. em algum momento alguém vai mexer nisso e obrigá-los a abrir a APMG para o mundo civil. Nem que demore mais vinte anos, mas espero um dia conseguir. abços.

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  7. A Academia da Policia Militar como instituição de ensino é um fiasco. Muitos dos instrutores são coronéis da reserva que passam uma imagem equivocada do trabalho policial e da sociedade, pois eram policiais do período da ditadura. Ainda se cultua uma policia violenta, onde direitos humanos é apenas uma matéria curricular. Os futuros oficiais passam a maior parte do tempo fazendo faxina nas monstruosas dependências da Academia. Aprende-se hierarquia e disciplina somente para cultuar os superiores e servir a estes. O nível cultural dos Oficiais geralmente é baixo e esta intimamente somente ao que se aprende (errado) na Academia.

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    • Pois então Adolfo, por isso gostaríamos de mudar e tornar o Guatupê uma academis de nível superior efetivamente, com iniciação científica, pesquisa, extensão, ou seja, os canônes de uma Universidade. Já tive diversos alunos do ensino médio que largaram as academias, incluindo a do EB, por conta dos abusos em relação a faxina, ordem unida, etc. A parte militar é militar, mas e a parte acadêmica onde está?

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  8. Precisamos abrir não somente as portas da academia, mas também a mente de alguns policiais que acham que pode tudo, não levam a sério a formação do agente de segurança, no interior em alguns batalhões a formação é ridícula, os soldados saem dos cursos totalmente perdidos por que algum acham que formar é pagar flexão, é castigo físico ou seja tortura, precisamos nos dedicar e que o policial não saia pra rua com raiva, desmotivado, este RDE que é usado como forma de “matar o tesão” de alguns, ou satisfazer o ego de outros, que se acham melhores do que o policial recém chegado e que já é formado, precisamos saber usar as ferramentas que o estado coloca em nossas mãos, e pararmos com discussão interna, sermos profissionais e quando sairmos para rua devemos saber o que estamos fazendo, prestando um serviço de qualidade e com alegria, além do mais o regulamento é usado como forma de oprimir os bons policiais, pois quem trabalha, fatalmente irá responder, já que estamos em um estado democrático de direito e quem se esconde só está pensando em promoção………

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  9. não sei ainda qual seu real interesse nessa causa mas somente quem passou boa parte de sua juventude na APMG sabe oque melhor cabe na formação dos nossos Oficiais. Precisamos sim de intelectuais e bem formados oficiais, mas muito mais de infantes, que irão conduzir a tropa e dar seu sangue para o bem da sociedade brasileira. Militar sempre. Só pode criticar quem conhece a causa profundamente. Então minha senhora, com a devida “venia” não se meta no que não conhece.

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    • Prezado Capitão, tenho inúmeros interesses nesse sentido e o principal deles é que a APMG tenha curso superior efetivamente (bacharelado e tecnólogo) e que aprendam com quem tem a devida experiência, os próprios coronéis Dabul, Carneiro e o Comandante sabem qual é o meu interesse. Sei muito bem do que estou falando, e o fato de ter conversado com todos eles comprova isso, ou será que eles teriam “perdido tempo” de conversar com alguém que não entende da matéria. A minha história profissional e a minha formação são a comprovação cabal de que não somente posso me meter, mas que DEVO me meter. Quem não tem nada a ver com a área de ensino é que não deveria se meter….

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  10. Qual o lugar neste país que se tem em torno de 17 anos, presta-se vestibular, dos mais concorridos do Estado, ao ser aprovado o cidadão não faz um curso superior, porém se torna automaticamente funcionário público, dos mais bem pagos do Estado, e passados 3 anos sai sem experiência prática de polícia, e comanda tropas nas ruas? Agora um praça, com experiência na PMPR, qual a chance de ingressar no Guatupê? As mesmas de um garoto de 17 anos que apenas estuda pra ser funcionário público, ou a de um policial que cumpre suas escalas, tem uma família pra cuidar? Se os milicianos estão conseguindo ingressar agora é na marra, é por raiva, é pra tentar mudar a PMPR e torná-la mais justa.

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