Gleisi Hoffmann: “o instável administrando o estável”

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Gleisi Hoffmann

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A ex-Ministra Chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, concedeu entrevista no mês de fevereiro para o Estadão e sinalizou algumas questões interessantes sobre o funcionamento do Estado do brasileiro, que são muito pertinentes para analisarmos. Ela esteve à frente da Casa Civil durante dois anos e sete meses,  e o seu perfil conforme análise anterior, neste Blog,  já mudou e há traços de Dilma nela, inegável. Atualmente não polpa discussões nem com o Fernando Henrique Cardoso, falarei sobre isso oportunamente.

Pois bem, uma das frustrações  da Senadora Gleisi Hoffmann é não ter efetivado as políticas públicas desejadas pela Presidente tanto quanto gostaria. Mas por quê? Ela apontou algumas dificuldades, que vou enumerar:

1)  Ausência de uma “cultura” de resultados;

2) A máquina pública é inerte;

3) A máquina pública é acomodada.

A descrição que a Ministra fez é ao mesmo tempo uma forma de desenhar uma isenção ou uma desculpa da União pelo “não fazer” e ao mesmo tempo ela descreve um modelo de Estado Corporativo que entrou em declínio no Brasil a partir da segunda metade da década de 1990. Hoje em dia, nós cientistas políticos trabalhamos com um conceito de Estado híbrido, isto é traços de um Estado que convive com o modelo corporativo, tido como atrasado, com o Estado gerencial, voltado para resultados e emprestando diversas ferramentas que animam o setor privado.

Mas o mais interessante foi a sua frase que considero emblemática: “o instável administrando o estável”. Aqui se trata da tensa relação entre a burocracia e os políticos, questão cara para a ciência política. E discutida arduamente em sala de aula e em diversos trabalhos acadêmicos. Isto quer dizer que esse modelo de gestão escolhido pelo Brasil não tem gerado resultados. Pois não apostamos num modelo de políticas públicas de Estado, bem definidas e delimitadas por funcionários públicos de carreira e não políticos que simplesmente passam pelo Estado, e que de 4 em 4 anos precisam passar pelo referendo das urnas.

Os cargos comissionados e a forma de gestão das Pastas não condiz com a necessidade do país, a tal da “barganha” compromete e muito uma política de resultados que atenda as demandas da população e não dos políticos de plantão. O casuísmo e interesses particulares tem marcado a escolha dos gestores, em detrimento, de funcionários públicos, a própria Ministra admitiu na entrevista que se ela tivesse a experiência de hoje, “ela teria avançado”. Isso é o retrato do amadorismo do Governo Dilma. O Brasil não tem mais tempo para amadorismo e improvisação, e o pior dos retratos é a condução dos compromissos públicos assumidos com a Copa do Mundo.

Isso quer dizer que o saber notório e anos de estudos, construído por diversos estudiosos e funcionários públicos de carreira, no dia a dia da gestão são descartáveis. Isso serve tanto para a União governada pelo PT como Paraná governado pelo PSDB. Ou seja, a ex-ministra Chefe da Casa Civil, assumiu que aprendeu fazendo, bem como, a nomeação do atual Secretário de Segurança Pública do Paraná, que é médico, demonstram com exemplos cabais como o Brasil é administrado, isto é, no improviso.

Puxa, agora recordei do livro do Professor Belmiro Valverde, “O Brasil não é para Amadores” e vou parafraseá-lo inovando dizendo que infelizmente o Brasil é gerido por amadores, tecnicamente a eterna tensão entre os burocratas e os políticos.

Fonte: Estadão; 09/fev/2014. Entrevista da ex-Ministra Chefe da Casa Civil.

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