Arquivo mensal: junho 2014

O vice de Gleisi: Jorge Bernardi?

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O final de semana é de Copa e também dos vices, aqui no Paraná.

 

Gleisi Hoffmann

Senadora – Gleisi Hoffmann

É importante, chamar atenção que em função das negociações tanto do PDT quanto do PT e das demandas de cada um, Gleisi acertaria ao conquistar como seu vice-governador, o Vereador Jorge Bernardi, perfil conciliador, político experiente, com formação acadêmica consistente, (concluindo doutorado) e profundo conhecedor dos dilemas e  dos problemas dos paranaenses, seria um grande aliado ao Projeto de Governo de Gleisi para o Paraná.

Vereador Jorge Bernardi

Vereador Jorge Bernardi

É óbvio que temos que considerar os intentos do PDT. Tenho certeza que Bernardi agrega à Campanha Eleitoral de Gleisi, mas temos que observar o que isso acrescenta ao PDT e ao PT, pois ao falarmos de política a palavra chave é projeto. Um projeto de partido,  um projeto de governo, projetos para o Estado do Paraná e nunca de projetos pessoais, em tese, ao menos.

Agora cabe observar, se esses projetos e objetivos  se complementam e respeitam as identidades partidárias. O PDT não tem vocação Nacional, ao contrário, é um partido voltado para o Município e para Estado, o que aparentemente complementa a vocação petista de poder.

 

Reinventando o vice

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reinventar

reinventar

Apesar da Copa do Mundo e mesmo com ela, as Eleições no Paraná estão pegando fogo.  O debate tem sido em torno dos “vices”. No Brasil, os “vices” estão inseridos num processo histórico importantíssimo e desempenharam o papel de protagonistas na história política recente do nosso país.

Existem pesquisas avaliando qual é a capacidade do “vice”, se “puxa votos” se “transfere votos”, enfim, qual é o seu papel? – As respostas são controversas. No entanto, no cenário paranaense, para entender o papel do “vice” temos que qualificá-los. Como exemplo, Ratinho Jr., não é qualquer “vice”, é jovem, bom de voto, carismático e tem um protagonismo político que destoa dos demais políticos paranaenses.

Pois bem, todos os principais atores políticos, em disputa pelo Palácio Iguaçu, estão sem um “vice”, mas há muitos se desenhando.

Como já mencionei, no atual quadro, o melhor dos cenários para o Beto Richa, seria ter como seu “vice” Ratinho Jr. Há informações de que isso não acontecerá.  O que resta para Richa é buscar um “vice” com um perfil próximo ao de Ratinho para sair da atual estagnação (o que é muito difícil).

Outra boa alternativa seria buscar uma mulher, fugiria das mesmices que tem sido divulgadas e poderia trazer alguma  novidade para o cenário. Sem falar, que incrementaria o debate e tiraria a exclusividade da presença feminina da corrida eleitoral protagonizada por  Gleisi Hoffmann.

Talvez o mote e a principal mensagem  para os candidatos  seja o conteúdo da última Campanha do Ratinho Jr. “reinventar”, porque com mais do mesmo não vai.

 

 

O futuro de Richa nas mãos de Ratinho Jr.

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beto e ratinho

beto e ratinho

Há muitas trovoadas e incertezas sobre a cabeça de Beto Richa, especialmente, com o Senador Requião no páreo pelo Palácio Iguaçu . E, se existe um fiel da balança nesse processo eleitoral, o nome dele no Paraná, é Ratinho Jr. A ausência de Ratinho Jr. fragilizará muito mais, o desgastado governador, que administra um Estado paralisado, sem perspectiva, sem dinheiro, sem políticas públicas e com uma eleição difícil, cenário que curiosamente é avesso a figura do Ratinho, ainda que o mesmo faça parte do governo tucano.

Pois bem, ter Ratinho Jr. como vice se desenha como o único caminho para oxigenar a campanha do Richa. Mas há um imbróglio  pessoal e partidário para Ratinho. O primeiro é a sua trajetória pessoal como político, e o segundo, são as aspirações do PSC de construir uma bancada forte na Assembleia., compromisso assumido com lideranças do PSC no Estado.

Pergunta: o que é melhor para o Ratinho?

a) Se ele tiver um projeto de poder para o seu Partido, apostará numa campanha para deputado estadual e para o fortalecimento do PSC, o que o fortalece pessoalmente também;

b) Se optar pela vice de Richa, fortalece o projeto de poder do governador e o seu,pois cacifa o seu futuro político.

Isto quer dizer que qualquer cenário para o Ratinho Jr. é positivo, uma única preocupação pode ser o crescimento da rejeição da imagem política do Ratinho vinculada ao Richa, ou uma chamuscada na sua imagem vinculada ao novo e a juventude.

 

Arrojo (Wilson Picler) versus Paralisia (Gustavo Fruet): uma leitura da cidade de Curitiba

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Tenho uma visão muito particular sobre esse cenário e não ouvi nenhum dos lados,  nem Picler nem Fruet. A matéria trata da minha insatisfação pessoal ao observar a cidade de Curitiba e como cidadã emito a minha opinião.

Wilson Picler & Gustavo Fruet

Wilson Picler e Gustavo Fruet

Que falta faz a inovação, o arrojo e a pujança na cidade de Curitiba. Estamos abandonados pela Prefeitura. Nunca vi o mato tão grande em diversos bairros, postes sem luz, isto porque o contrato com a empresa X cessou e a Prefeitura ainda não fez outro… Meu Deus, como assim? Pois é, assim mesmo. A marca do Gustavo Fruet é a paralisação, não decide, não faz, muito menos inova.

Na época da campanha eleitoral escrevi diversos artigos apontando que o perfil pacato de Fruet seria complementado pelo arrojo do empresário e ex-Deputado Federal, Wilson Picler. Que falta faz um administrador para Curitiba, uma cidade que um dia procurou propor inovações e hoje não faz nem o básico que é a manutenção do que já existe.

A gestão da cidade de Curitiba, com a participação de Wilson Picler, um empresário visionário poderia ganhar características inovadoras e alçar novamente o posto de uma cidade criativa que desenvolvesse novas tecnologias sociais, políticas públicas e  formas de gestão inovadoras das quais estamos carentes. Fruet sozinho é mais do mesmo.

Fruet e o seu grupo político pagarão o preço por colocar a cidade de Curitiba debaixo do tapete. Saímos do protagonismo e vanguarda para o mais comum dos lugares, isto é, da falta de identidade. E, afirmo, os curitibanos estão insatisfeitos com a paralisia da cidade. Velhas discussões com novos atores políticos (que nem são tão novos assim) que se esconderam num passado que no futuro não cabe mais.

 

 

Autoridade? Imaturidade…

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Recebi esse texto no meu e-mail e é o desabafo de alguém que vive na estrutura militar e apresenta as suas mazelas. O anonimato será preservado para evitar perseguição, a pedido do (a) autor (a)

Hierarquia, pressão e autoritarismo

Hierarquia, pressão e autoritarismo

Porque sim. Por que eu quero. Por que eu mando. Por que eu sou superior e você é subordinado. Constantemente me pergunto com que frequência essas e outras geniais justificativas são dadas e ouvidas em quartéis mundo afora. Particularmente, em meus incontáveis poucos anos de serviço militar, posso dizer, seguramente, que perdi a conta de quantas vezes ouvi tais frases quando para o cumprimento de determinada ordem.

Argumentos incrivelmente sábios como estes me levam a refletir sobre alguns dos pilares fundamentais da doutrina militar, em especial a hierarquia e a disciplina. De acordo com esses pilares, a sociabilidade lúdica entre superiores e subordinados é rigorosamente indesejável e cabe aos subalternos a obediência hierárquica, de maneira pronta e eficiente, às ordens da autoridade superiora competente.

De forma a digerir e compreender toda a eloquência gramatical citada, desmembrarei a parte que mais me parece paradoxal e singular na questão. Autoridade superiora competente – Autoridade competente – Autoridade.

A palavra autoridade deriva do latim auctoritas, que vem por sua vez vem de auctor, derivado de augere, que significa fazer crescer. Assim, a pessoa incumbida em uma posição de autoridade deve entender que seu principal papel é fazer seus liderados crescerem, se desenvolverem e descobrirem sua total potencialidade. Daí vem sua autoridade.

Tendo em vista tal análise, compreendo a autoridade de duas maneiras. A autoridade inata e a autoridade adquirida. A autoridade inata é aquela que existe no líder devido ao caráter da sua personalidade, seja ele por um acentuado carisma, seja ele por um dom individual. Uma pessoa provida de autoridade inata pode ser exemplificada pelo líder carismático, o artista brilhante ou o cientista visionário, ou seja, sua autoridade é determinada por sua própria natureza.

A autoridade adquirida, por sua vez, pode ser dividida em dois tipos, a autoridade diligente e a autoridade delegada. A autoridade diligente é aquela adquirida através do esforço individual, através do estudo e da vivência. Podemos exemplificar com o enfermeiro e o médico que dedicam anos de estudo para dar o melhor tratamento aos doentes, o agricultor que com anos de experiência conhece as melhores épocas de plantio e as pessoas de idades mais avançadas que passaram por inúmeras situações ao longo de suas vidas e adquiriram conhecimentos e experiências que são novas àquelas de menor idade.

Já a autoridade delegada é aquela na qual um indivíduo adquire sua autoridade através de um processo previsto na legislação, para tal podemos exemplificar através do político que é eleito democraticamente, o fiscal responsável pela regulamentação de determinada atividade, o militar em uma posição hierárquica superiora, dentre outros.

Claramente os tipos de autoridade não ocorrem, necessariamente, de maneira única em uma pessoa. Por exemplo, o médico, já provido de sua autoridade diligente, ao ser promovido a diretor de um hospital, adquire ainda um novo tipo de autoridade delegada que lhe coloca em uma esfera mais ampla no que diz respeito à liderança frente àquela instituição de saúde.

Pensando de forma lógica e racional, a autoridade delegada, portanto, deveria vir decorrente das autoridades inata e/ou diligente de determinada pessoa. Assim sendo, nota-se que, quanto mais tipos de autoridade um líder adquire, maior será a sua capacidade de fazer com que seus liderados cresçam de maneira ordenada e harmônica. Este é o grande desafio, e onde está o verdadeiro reconhecimento de uma grande autoridade.

Haja vista esta discussão, retornemos à caserna. Em um sistema militar tradicional, sob a ótica da não sociabilidade lúdica, as autoridades inata e diligente são irrelevantes para a aquisição de uma autoridade delegada e, portanto, irrelevantes para a imposição arbitrária de uma ordem de um superior hierárquico ao seu subordinado. Evidente e não surpreendentemente, conseguimos perceber que o crescimento ordenado e harmônico dos liderados será comprometido de acordo com a atitude que o superior hierárquico, i.e. autoridade, deseja tomar.

Um superior provido de carisma (autoridade inata), de conhecimento (autoridade diligente) e de posição hierárquica (autoridade delegada) certamente terá melhores condições para guiar seus subordinados, tanto no cumprimento do dever quanto em outras questões pertinentes a um convívio justo e harmonioso. Um superior nessa condição é capaz de quebrar a barreira da não sociabilidade lúdica e de enxergar seu subordinado como um ser humano provido de capacidades e anseios particulares a sua pessoa, extraindo dele seu melhor e sabendo ser tolerante quando necessário. O subordinado, por sua vez, reconhece o superior não apenas pela ótica, também, da não sociabilidade lúdica, ou seja, não apenas pela sua posição hierárquica, mas pelo seu carisma e conhecimento, o que gera um senso de respeito, comprometimento e cumplicidade elevado entre as duas pessoas.

Por outro lado, um superior hierárquico que carece de autoridade inata e/ou diligente, torna-se prisioneiro da autoridade delegada e, consequentemente, observa suas ações apenas através da ótica da não sociabilidade lúdica. O gerenciamento de seus subordinados estará seriamente comprometido e sua autoridade posta em questão, não apenas pelos seus subordinados, mas por si mesmo. Ao duvidar de sua própria capacidade, um superior escravo dessa condição consegue impor sua autoridade delegada apenas através da autoafirmação. E através dessa atitude ele demonstra que (1) ele precisa se mostrar melhor do que os outros, quando na realidade é possível que ele tenha baixa autoestima devido à falta de autoridade inata/diligente, e/ou (2) ele quer fazer parte de um grupo que também age desta forma e, em função disto, sente que é necessário ter este comportamento para conseguir ser aceito.

Assim sendo, o ato de se autoafirmar faz com que esse tipo de líder deixe de olhar verdadeiramente para dentro de si, local onde se encontram os reais meios de reconhecimento e o qual diminui a necessidade de se buscar o retorno externo, e fecha-se a necessidade íntima de impor-se à aceitação do meio. Precisa mostrar-se sempre em destaque para obter constante aprovação dos que os cercam. Com o passar do tempo, se reduz tanto a sua baixa estima que não enxerga mais os que estão ao seu redor como pessoas merecedoras de respeito e consideração, ofendendo e maltratando aqueles a quem se refere e impondo a sua vontade de maneira arbitrária através da sua única alternativa, a autoridade delegada.

Este ato de se autoafirmar através da autoridade delegada mostra o verdadeiro (des)preparo de um líder frente aos seus subordinados. Neste caso sua autoridade não se enquadra mais na esfera da própria etimologia da palavra, ou seja, não significa “fazer crescer”. Sua autoridade transforma-se e mescla-se à esfera etimológica de maturus, particípio passado de maturare que significa amadurecer, estar pronto para a colheita, contudo, acrescido do prefixo in, não.

Líderes nessa condição demonstram que sua autoridade é, na verdade, pura e simples imaturidade. Imaturidade pela necessidade de se autoafirmar. Imaturidade por impor-se como autoridade competente quando dentro de si, eles mesmos duvidam da própria competência. E principalmente, imaturidade por não perceberem que uma autoridade inata pode ser trabalhada e que uma autoridade diligente pode ser adquirida.

Neste sentido, uma autoridade delegada imatura acredita estar absolutamente certa sobre qualquer coisa para com seu subordinado e absolutamente errada sobre qualquer coisa para com seu superior, por mais que evidências contrárias digam que não. Ela não adquire nenhum novo conhecimento e permanece em um estado estático à realidade circundante, fechando-se cada vez mais para uma visão afunilada onde a parede da não sociabilidade lúdica ao seu redor é tão rígida e engessada, pois é a única capaz de sustentar sua imaturidade perante os outros, que o mundo a sua volta se torna supérfluo e até mesmo incoerente com suas ações.

Infelizmente, autoridades nessa situação não são exceções quartéis afora, ainda mais quando jovens em posições de liderança. Se é orgulho ferido, ego inflado ou simplesmente imaturidade, na impossibilidade de escolher as três eu prefiro acreditar na última que pode ser mais facilmente trabalhada. São essas atitudes que, não supreendentemente, fazem o sistema militar, pelo menos nas polícias militares, iniciar seu processo de colapso. Por esse motivo, é evidente que movimentos em prol da desmilitarização e da extinção das policias militares ocorreriam, mesmo sem o estopim da sociedade, visto que o sistema está deturpado e falido dentro dos próprios quartéis.

Felizmente, existe uma luz no fim do túnel e ela vem através do bom senso, da humildade, da compreensão, da tolerância, da justiça e de inúmeros outros aspectos relacionados ao convívio harmonioso entre superiores e subordinados. Um papel pode nos dizer sobre nossa posição, mas jamais nos dirá sobre nosso caráter. Não nos esqueçamos de que não somos melhores ou piores, mas sim diferentes uns dos outros. Diferentes nas capacidades, diferentes no conhecimento, diferentes nas responsabilidades, diferentes nas posições, e é a forma como atuamos frente a essas diferenças que forma nossa verdadeira autoridade.

No jargão militar e em uma visão realista de mundo, um subordinado que pondera acrescenta muito mais ao seu trabalho e à sua instituição, o superior deveria, portanto, fazer o mesmo. E, convenhamos, ainda bem que pelo menos aquele pondera, isso faz parte da natureza do Homo sapiens (do latim “homem sábio”), afinal ponderar deriva do latim ponderare que significa avaliar, pensar sobre… mas é melhor parar por aqui, isso é assunto pra outra discussão.