Arquivo mensal: abril 2017

A cultura da tutela: um case

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Pessoal, preciso compartilhar com vocês algo curioso que tenho experimentado em minha loja – Vanessa Fontana Armarinhos e Artesanato – desde que criei o Clube do Livro. Aqui temos uma foto do projeto.

Clube do Livro - Armarinho & Artesanato

Faz uns dois meses que criei um modelo para deixar os livros disponíveis para as pessoas  terem acesso aos livros em frente a Loja. Até aí tudo bem… O Projeto está indo de vento em polpa, pois a comunidade tem colaborado com doações, livros vão e vem…histórias e experiências vão e vem…

Mas o curioso é a atitude das pessoas frente aos livros… Muitos entram com identidade na loja para fazer um cadastro ou algo que o valha… E, dizemos que não precisa… As pessoas insistem e dizem coisas assim:

  1. Mas a minha identidade está aqui…
  2. Meu nome é…
  3. Eu tenho comprovante de residência…
  4. Eu moro na rua tal…
  5. Quanto tempo eu tenho para ler…

livros

Nossa resposta, invariavelmente é: pode pegar o livro que você quiser… Mas como assim? As pessoas indagam… Na verdade elas querem um CONTROLE, um LIMITE que nós não damos…. as pessoas são livres para pegar, devolver, trocar, enfim…

Mas a ficha demora para cair… a experiência tem sido linda… pelo projeto estar indo bem e pela surpresa das pessoas pela nossa falta de controle…. ou diria liberdade, emancipação… cidadania… de fazer e de agir sem ninguém tutelá-lo…. é um simples livro, mas o significado da experiência tem ido muito além…

Arte com Ciência: Henry Kaminski

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Esse é o cara…meu grande professor e mestre de processo civil, excelente didática, equilibrado e melhor ainda, ciente dos limites epistemológicos dentro de uma sala de aula…Professor Henry Kaminski … vc me dá orgulho como aluna e professora.

Fiz p ele um porta cartão customizado… Arte com ciência!

Henry Kaminski

A delação do fim do mundo…pode ser um começo…

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Pois bem, nada está fácil no Brasil, economia, política, violência… poderia fazer um post inteiro só indicando nossas mazelas. Mas como brasileira que sou e cientista política também vou lançar um outro olhar sobre essas conjuntura da Lava-Jato. De fato, estamos tendo a oportunidade de reinaugurar a República, com o sonho de cidadãos ativos e participativos, de um país que até ontem só punia e prendia os pobres, negros e moradores da periferia. Pois bem, mas tem uma elite branca que brada aos quatro ventos que estão querendo usar esses políticos como exemplo e se vingarem. Não é o que eu vejo….

1984_poster

E, digo o que vejo, por um instante lembro de um livro do Whright Mills – O imaginário sociológico, onde ele falou dos white collars, os crimes de colarinho branco, e não posso deixar de perceber isso como um avanço. Pois, até então, quantos membros da elite foram punidos pelo sistema penal? – Respondo novamente, negros e pobres. Não dá para olhar e não ver. Mas há muitos que não veem porque não veem e porque não querem ver que o Brasil está mudando sim.

Me entristece olhar para o Brasil que o PT, enquanto partido, fez questão de dividir e essa ruptura foi tão grande que atingiu os que deveriam pensar, no sentido teleológico da palavra, isto é, romper o senso comum. Mas as academias, especialmente, as públicas estão contaminadas pelo senso comum … e quando paro e observo não me sai da mente o livro de George Orwell.

Creio que demoraremos mais de duas décadas para que o pensamento acadêmico se descontamine e volte a fazer ciência, ao menos, na área das ciências sociais e sociais aplicadas.