Arquivo da categoria: estado e sociedade

A delação do fim do mundo…pode ser um começo…

Padrão

Pois bem, nada está fácil no Brasil, economia, política, violência… poderia fazer um post inteiro só indicando nossas mazelas. Mas como brasileira que sou e cientista política também vou lançar um outro olhar sobre essas conjuntura da Lava-Jato. De fato, estamos tendo a oportunidade de reinaugurar a República, com o sonho de cidadãos ativos e participativos, de um país que até ontem só punia e prendia os pobres, negros e moradores da periferia. Pois bem, mas tem uma elite branca que brada aos quatro ventos que estão querendo usar esses políticos como exemplo e se vingarem. Não é o que eu vejo….

1984_poster

E, digo o que vejo, por um instante lembro de um livro do Whright Mills – O imaginário sociológico, onde ele falou dos white collars, os crimes de colarinho branco, e não posso deixar de perceber isso como um avanço. Pois, até então, quantos membros da elite foram punidos pelo sistema penal? – Respondo novamente, negros e pobres. Não dá para olhar e não ver. Mas há muitos que não veem porque não veem e porque não querem ver que o Brasil está mudando sim.

Me entristece olhar para o Brasil que o PT, enquanto partido, fez questão de dividir e essa ruptura foi tão grande que atingiu os que deveriam pensar, no sentido teleológico da palavra, isto é, romper o senso comum. Mas as academias, especialmente, as públicas estão contaminadas pelo senso comum … e quando paro e observo não me sai da mente o livro de George Orwell.

Creio que demoraremos mais de duas décadas para que o pensamento acadêmico se descontamine e volte a fazer ciência, ao menos, na área das ciências sociais e sociais aplicadas.

Anúncios

Prof. Cassiano Ferreira Novo, apoia o Maio Amarelo

Padrão

O Professor e Psicólogo Cassiano Ferreira Novo, Diretor da Consultoria Mobilidade Segura, concedeu entrevista ao Blog da Vanessa Fontana sobre o Maio Amarelo.

Para o Professor Cassiano Novo, o Maio Amarelo é uma Campanha Internacional de significativa mobilização social, nós temos poucos programas com a extensão do Maio Amarelo e o seu objetivo é despertar na sociedade a consciência do número de mortos e feridos no trânsito no mundo todo e no Brasil. O movimento tenta despertar a consciência da população para que tenhamos atitudes de cuidado de si e do outro, desenvolvendo comportamentos e atitudes de respeito no trânsito. Assim, um dos maiores objetivos do Maio Amarelo é estimular um comportamento preventivo e de maior segurança no trânsito.

Maio Amarelo 2

Mas a questão é: o que fazer para que os brasileiros respeitem a Lei? – Para o Professor Cassiano Novo, normalmente vamos atrás dos nossos direitos, mas quando falamos de dever, nós o jogamos para o outro, o próprio Sarte diz o “inferno são os outros”, eu fiz por um engano, queremos que o outro seja fiscalizado, mas eu tive um descuido, esse aí tem que ser punido. Essa percepção de cobrança do “outro” e não de “si” é preciso desenvolver nos brasileiros, e são posturas e atitudes estimuladas pelos Maio Amarelo.

Cassiano 3

A mensagem que fica do Professor Cassiano Novo, sobre o Maio Amarelo: é de que precisamos deixar de cobrar do “outro” somente, e passarmos a cobrar de “nós” mesmos comportamentos comprometidos no trânsito.

Prof. Caio Patrício de Almeida, reflexões sobre política criminal no trânsito e apoio ao Maio Amarelo

Padrão

Caio Patrício de Almeida é professor e advogado criminalista, atualmente cursa Mestrado em Direito Penal pela Faculdade de Direito da USP, concedeu entrevista ao Blog da Vanessa Fontana a respeito do Maio Amarelo e da questão criminal e penal que envolvem os acidentes e crimes de trânsito.

Professor Caio

Para o Professor Caio de Almeida, o Maio Amarelo é uma iniciativa importante por dar prioridade a políticas pró-vida no trânsito, essas ações são tentativas de retirar da esfera de controle formal,  isto é, do ponto de vista meramente punitivo, para a redução de danos.

De acordo com o Professor Almeida, hoje vivemos, uma superpopulação carceraria no mundo, e o Brasil, ocupa a quarta população carcerária nesse ranking mundial. Essas políticas repressivas não são adequadas para prevenção. Os crimes de trânsito são crimes de perigo abstrato, temos um sistema lotado e com políticas inadequadas para isso. Temos que trabalhar políticas globais dentro da segurança pública e o trânsito compor essa agenda.

Numa perspectiva mais individual, sabemos que a vítima pode ter vontade de punir, mas o Estado não pode ter esse ânimo. O papel do Estado é atuar na prevenção, precisamos lembrar as pessoas do perigo e não puni-las para que lembrem. Ressalta o Professor Almeida que, a própria Lei Seca demonstra isso, para conquistar esse feito de redução das taxas precisamos ficar constantemente aumentando multas, mas até quando teremos essa capacidade?

Destaca ainda o Professor Almeida que, nessa linha punitiva, a tornozeleira eletrônica tem sido adotada como medida cautelar processual, nos casos dos crimes de trânsito são medidas paralelas que criam novos subsistemas, foi o que aconteceu com o juizado especial criminal e eles acabaram ficando abarrotados. Nós não conseguimos com essas medidas diminuir crimes. Existem medidas alternativas, a própria OMS propõem. E esse discurso de cadeia para esses crimes acabam tendo fins eleitoreiros. Sempre podemos criminalizar, mas isso não tem dado bons resultados, editam-se leis e não medidas alternativas que aparentemente oferecem resultados melhores e mais satisfatórios.

No caso do trânsito, temos uma Política Criminal Simbólica que tem por objetivo aterrorizar as  pessoas para que não cometam nem delitos, nem crimes. Até quando vamos aumentar à pena? Até quando vamos aumentar as multas? Para o Professor Caio Almeida, a adoção de medidas administrativas são mais salutares do que atender essa questão meramente simbólica e amarradas a desejos eleitorais.

Programa Vida Acadêmica com Rodrigo Horochoviski

Padrão

Entrevistei o Professor Rodrigo Horochovski, para o Programa Vida Acadêmica, o Professor relatou sua trajetória e a escolha pelo curso de ciências sociais, relatou sua passagem junto aos movimentos sociais. Desde jovem acompanhava seu pai na Assembleia Legislativa do Paraná, sendo que ali já tomou gosto pela política. O Professor realizou graduação em ciências sociais na UFPR, mestrado em sociologia pela UFPR e realizou doutorado em Sociologia Política na UFSC. Participa de dois grupos de pesquisa o NUCLINT –Núcleo de Estudos de Interações Estado e Sociedade. O Outro grupo de Pesquisa em Análise de redes sociais e financiamento político, composto por alunos de graduação e mestrado.
Teve uma passagem também pelo IBPQ, do Sistema “S”.