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POLÍCIA FEDERAL – A LEI É PARA TODOS

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Minha interpretação do filme: Polícia Federal – A Lei é para Todosimpeachment

Apresenta alguns fatos reais que marcam a operação Lava Jato e alguns atores políticos envolvidos. O foco, como o próprio título aponta, é a Polícia Federal – PF, o Ministério Público e o Juiz Sérgio Moro. No filme, o MP é discreto, bem como, o Juiz Moro tendo que tomar decisões difíceis, mas com cautela, esse é olhar do diretor sobre os fatos. Apresenta a corrupção mais ligada ao PT, fato que não causa estranheza já que era o partido no poder, são os fatos. No entanto, lembram que a investigação atinge quase todos os partidos políticos, com destaque evidente além do PT, o PMDB, o PP e o PSDB.

A PF é a estrela mais brilhante, conduzida por meia dúzia de delegados que querem fazer a diferença numa cultura que banaliza a corrupção, o objetivo é passar o Brasil a limpo, são predestinados, mas para tanto, precisam lutar contra o Sistema Político e uma estrutura – que ficou muito mal no filme – para além do sistema político, o judiciário na figura do STF, como o locus de impunidade dos crimes de colarinho branco, porque é lento na condução dos processos; e justiça tardia não é justiça.

Esses iluminados da PF, jovens-adultos-idealistas que legitimam sua atuação afirmando que não devem nada a ninguém, porque foram aprovados em concurso público e por isso tem que fazer a coisa certa (e o certo é não temer os grupos poderosos: ex-presidentes da República, ministros de Estado, altos executivos, etc). E na minha opinião, fizeram bem ao não se intimidarem diante de pessoas que praticaram condutas tipificadas como corrupção, e que corrupção… afinal de contas, estamos falando de bilhões!

Qual a maior fragilidade do filme é apresentar um grupo de redentores: a PF. Esse é o grande problema, pois o filme constrói uma narrativa salvacionista, ou do bem contra o mal, e eles são o bem, isso não me atrai porque é muito maniqueísta e esse jogo é muito mais complexo. Ninguém é somente bom, na verdade tenho uma visão antropológica negativa dos homens, mas o Brasil é mais do que isso.

Entrementes, o que mais me incomodou foi à criminalização da POLÍTICA, pois afirma que todos os políticos são bandidos, essa mensagem passa a ideia de que a política é dispensável, pois é corrupta, e toda generalização é perigosa. A política é a saída mais importante, senão a única, para esses problemas que enfrentamos desde 1500 até os dias atuais, uma cultura política de que a vantagem é o nosso ethos. Não queremos mais isso, o que vem pela frente não sabemos, o caminho é como o de um fluxo de água sem controle, a única certeza é de que o Brasil não pode ser mais o mesmo após a Lava Jato.

E mudar não significa nos apoiarmos no MP, na PF, no juiz Sérgio Moro, muito menos no STF, depende de todo e qualquer brasileiro que esteja esgotado de ser um subcidadão… CULTURA se muda da sociedade civil para o estado e não o contrário….

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Anaspra, Associações de Policiais e Anistia Internacional juntos: Diálogos pela Segurança Pública

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Prof. Luiz Eduardo Soares

Prof. Luiz Eduardo Soares

No dia 25 de novembro de 2013 ocorreu e eu participei na sede da ONG VIVA RIO, no Rio de Janeiro, entre  12:00 e às 16:00 horas um Encontro entre representantes de Associações e Sindicatos de Policiais, representantes da Anistia Internacional e do Observatório das Favelas, assessores do Senador Lindebergh Farias e o Prof.Dr. Luiz Eduardo Farias, ex-Secretário Nacional de Segurança Pública e professor da UERJ.

Reunião com as Associações de Policiais, Sociedade Civil e o Prof. Luiz Eduardo Soares

Reunião com as Associações de Policiais, Sociedade Civil e o Prof. Luiz Eduardo Soares

Estiveram presentes representantes do Rio Grande do Sul, do Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Piauí, Paraíba e Pernambuco. O esforço empreendido no Encontro foi de pensar os processos em torno da PEC 51 e das resistências que tem surgido em relação a mesma.

O Prof. Luiz Eduardo Soares relatou que a PEC 51 é o fechamento de um processo de reflexão, de pesquisa e de gestão de muitos anos em relação a Segurança Pública, e a PEC 51 amarrou denominadores comuns sobre o tema.

A PEC 51, segundo ele, nasceu a partir de questionamentos quanto ao financiamento da Segurança Pública, originando a Comissão  Especial no Senado. O relatório final da Comissão Especial apresentará os resultados do trabalho em 19 de dezembro de 2013, mas ainda precisa passar pela CCJ e depois segue para a Câmara.

Há relatos que confirmam a resistência de alguns setores da polícia à PEC 51, especialmente os delegados da PF , da PC e oficiais da PM. A proposta nesse sentido é de realizar eventos regionalizados que esclareçam o conteúdo da PEC 51 e que aproximem o tema da sociedade civil, bem como das universidades.

Reunião na ONG Viva Rio

Reunião na ONG Viva Rio

A PEC 51 se concentra em arenas diversificadas, como: a) as próprias forças policiais; b) a sociedade; c) a universidade; d) o Congresso Nacional. Nesse sentido, a complexidade do tema exige que esse debate seja regionalizado para que a sociedade civil  e a comunidade policial compreendam o conteúdo da PEC 51.

O que sabemos é que o modelo atual de policiamento não funciona nem para a sociedade, nem para a classe policial que compreende a Polícia Federal, a Polícia Militar, a Policia Civil, a Polícia Rodoviária Federal e as Guardas Municipais. Assim foi acordada a importância de realizar eventos para esclarecer tanto a sociedade quanto especificamente a classe policial sobre o que é um ciclo completo de polícia e do que trata a PEC 51.

De acordo, com o Prof. Luiz Eduardo Soares, a Polícia Militar não é horizontal, o que precisamos é de um policial com autonomia para que eles sejam gestores da segurança pública, sendo que dentro de uma estrutura hierarquizada esse conceito é perdido.  Ainda para o Prof. Soares a carreira única organizada será uma forma de acabar com privilégios, uma vez que esse poder como está organizado é imperial, ou seja, fora de um contexto democrático.